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sexta-feira, 18 de março de 2011

FO-USP testa novo aparelho para detectar Câncer de Boca


VESCOLPE (FOUSP)

Câncer de Boca

O Câncer Bucal no estágio inicial é sempre indolor e assintomático, por isso a necessidade do auto-exame e de visitas regulares ao seu Dentista.Se o câncer for detectado no seu estágio inicial, a sobrevida do paciente pode chegar a 90%.


O índice deste tipo de câncer vem aumentando ao longo dos anos. O tabagismo e o etilismo são os principais fatores de risco e é mais comum em pessoas acima de 40 anos. Durante muito tempo a prevalência era maior no sexo masculino, porém isso vem mudando.
Notícias USP

Um novo aparelho para detectar o câncer de boca está sendo testado em um estudo da Faculdade de Odontologia (FO) da USP. O Velscope é único na América Latina e foi adquirido do Canadá no final de agosto de 2010. O equipamento vem sendo utilizado na Clínica Odontológica da FO em pacientes com lesões suspeitas de malignidade (lesões ulceradas que não cicatrizam em até 15 dias e lesões brancas que não saem a raspagem). O objetivo é verificar o quanto, de fato, ele auxilia na localização de um possível tumor maligno.

Diferentemente de um outro aparelho em estudo no Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) , o Velscope funciona por fluorescência-clínica. A mucosa é exposta a luz, com um comprimento de onda específico, e os tecidos displásicos, aqueles com potencial a serem câncer, refletem a luz de maneira diferente e aparecem mais escuros. O aparelho no HC funciona por outro método: um laser escaneia a região e as imagens ampliadas podem ser analisadas. Ambos, porém, podem ser utilizados em uma consulta simples, já que os métodos não são invasivos, não necessitando de anestesias ou cortes.

O professor Celso Augusto Lemos Júnior, orientador da pesquisa junto com o professor Norberto Nobuo Sugaya, ressalta que o principal objetivo é encontrar evidências científicas que indiquem se o aparelho é, realmente, uma ferramenta que facilita e acelera o diagnóstico. “Queremos testar o quanto ele pode auxiliar a escolher a área mais adequada da biópsia”, declara. Embora o estudo esteja em seu início, Lemos afirma: “Enquanto método auxiliar, o aparelho pode ser vantajoso, já que ajuda a demarcar a área onde a biópsia deve ser feita. Porém, ele não dará um diagnóstico final e preciso, ou seja, a biópsia ainda será necessária.”

A pesquisa, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), é uma tese de doutorado de autoria da dentista Rita de Cássia Araújo Rocha e deve ser concluída em dois anos. Ela explica que, ao longo dos trabalhos, três grupos serão analisados com o novo aparelho. O primeiro com pessoas cuja doença já foi diagnosticada; o segundo com pessoas que possuem lesões potencialmente malignas e um terceiro com pessoas sem problemas visíveis.

Os pacientes serão, inicialmente, examinados clinicamente. Depois será feito exame com o corante azul de toluidina, que ajuda na demarcação de áreas com maior atividade celular. Num terceiro momento, será utilizado o Velscope para identificar com mais precisão as áreas afetadas e auxiliar na demarcação de onde será feita a biópsia, última etapa a qual o paciente vai se submeter.

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Pacientes com lesões na boca e suspeitas da doença podem procurar a Clínica Odontológica da FO às segundas e às quartas-feiras, na parte da manhã, a partir das 8 horas. Não há necessidade de agendamento. Basta comparecer ao local, que fica na Av. Prof. Lineu Prestes, 2227, Cidade Universitária, São Paulo. Mais informações pelo telefone (11) 3091-7970 ou pelo email calemosj@usp.br.

FONTE:Agência USP

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Célula Tronco X Lábio Leporino

O lábio leporino (labiopalatal) é uma anomalia craniofacial caracterizada por fissuras (aberturas) no lábio e/ou palato (céu da boca) que variam de leves (como cicatriz labial ou úvula bífida (“campainha” dividida) ) a graves como as fissuras completas de lábio e palato. As fissuras podem deixar o canal oral em contato com o nasal. As fissuras são ocasionadas pelo não fechamento destas estruturas durante um processo de cicatrização que ocorre entre a 6ª e a 12ª semana de gestação.

Em cada 1000 nascimentos no Brasil, uma nasce com fissura labiopalatal. Em algumas regiões podem chegar a 1 para 600. Existem vários fatores que tem sido implicados no seu aparecimento, tais como o uso de álcool ou cigarros, a realização de raios X na região abdominal, a ingestão de medicamentos, como anti-convulsivantes ou corticóide, durante o primeiro trimestre gestacional, deficiência nutricional, além da hereditariedade.

Com a alteração da anatomia da face, há maior risco das crianças aspirarem o alimento provocando infecções como otites e pneumonias. As otites podem causar prejuízos no desenvolvimento da fala e linguagem.

No Brasil, são encontrados vários centros especializados no atendimento de pacientes com fissuras labiopalatais pelo SUS. A grande referência nacional é o Centrinho/USP de Bauru.

Pesquisadores do Laboratório de Genética do Desenvolvimento Humano do Instituto de Biociências (IB) da USP, a partir da análise de células-tronco extraídas da polpa do dente de leite de crianças com lábio leporino, identificaram que 90 genes ligados a anomalia apresentam um funcionamento diferente quando comparados com o genoma de crianças sem o problema. Entre esses genes, 10 parecem ter uma maior participação para a ocorrência da anomalia. Um dos grandes diferenciais do trabalho é a abordagem usada: os cientistas analisaram o funcionamento dos genes a partir das células-tronco.


“Nossa idéia era entender o funcionamento dos genes e, para isso, era necessário analisar o funcionamento do genoma a partir das células-tronco e não simplesmente o DNA”, aponta a professora Maria Rita dos Santos e Passos-Bueno, coordenadora do Laboratório e deste projeto. “O uso de células-tronco para pesquisar aspectos genéticos da anomalia é uma abordagem inovadora”, completa.

“A incidência é muito alta, e o tratamento tem um custo elevado, pois envolve uma equipe multidisciplinar: cirurgião dentista, fonoaudiólogo, médicos, psicólogos”, relata. A pesquisadora lembra ainda que o tratamento leva vários anos e que devem ser feitas diversas cirurgias para corrigir definitivamente a fissura.

Dente de leite

A pesquisa foi realizada com 6 pacientes com fissura de labio e/ou palato com idades entre 5 a 8 anos, do Departamento de Cirurgia Plástica da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e do Hospital Sobrapar, de Campinas. “Optamos por extrair a célula-tronco da polpa do dente de leite, pois é um procedimento não invasivo, tanto para o grupo com a anomalia como para o grupo controle”, conta Daniela. “Podíamos extrair a célula tronco da médula óssea, mas é um procedimento bastante invasivo, ao contrário do dente de leite que cai naturalmente”, completa.
Após o isolamento das células-tronco, os pesquisadores analisaram 33 mil genes de ambos os grupos. Foi constatado que 90 genes do grupo de fissurados apresentavam um funcionamento diferente quando comparado aos genomas dos pacientes do grupo controle. Esses 90 genes estão associados ao processo de cicatrização das estruturas faciais.

Os cientistas perceberam que, entre esses 90 genes, 10 deles eram mais interessantes para este processo de cicatrização. E resolveram repetir os testes com outros 10 novos pacientes com fissuras labiopalatais. E o resultado foi confirmado: esses 10 pacientes também apresentavam falhas no funcionamento dos 10 genes selecionados.

A pesquisa teve a participação de uma equipe multidisciplinar de pesquisadores, entre eles Daniele Yumi Sunaga (bioinformata e doutoranda em Genética Humana); Gerson Shigueru Kobayashi (biólogo e doutorando em Genética Humana), entre outros co-autores. Um artigo descrevendo o trabalho foi aceito esta semana para publicação na revista Stem Cells Reviews and Reports, uma das mais importantes revistas em células-tronco do mundo.

Para mais informações sobre esta pesquisa: (11) 3091-9910 ou emails passos@ib.usp.br , com a professora Maria Rita, e dbueno@usp.br , com Daniela Bueno
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FONTE:USP

terça-feira, 27 de julho de 2010

USP: "Células-Tronco a partir de dentes de leite"

Caros colegas,


Parece que a FADA DOS DENTES, célebre no imaginário infantil, esta com os dias contados. rs...

Bem, na Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (USP) encontra-se em construção, o laboratório para obtenção de células-tronco a partir de dentes de leite que deve colaborar para pesquisas sobre o assunto em todo país. A obra custará em torno de R$ 200 mil e deve ficar pronta em meados de 2011. Parte dos equipamentos será financiada pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).O laboratório deve abrigar, no futuro, um banco de células-tronco dentárias. Será o primeiro do Brasil e fornecerá células que poderão ser usadas por profissionais de saúde e por pesquisadores.

A coordenadora do projeto, Andrea Mantesso, afirmou que o novo laboratório deve receber pesquisadores de outras universidades do país e do exterior. A universidade inglesa King´s College, que já é parceira da USP em cinco projetos com células-tronco dentárias , será uma das instituições que enviará alunos e professores para estudos em São Paulo.“Poderemos trabalhar em colaboração e formar pesquisadores interessados nesta área [células-tronco]”, complementou. Os trabalhos realizados em conjunto vão desde transplante de tecido embrionário que dá origem à mandíbula no rim de camundongos até o estudo de genes relacionados a células-tronco.

Ainda de acordo com a professora Andrea Mantesso, que leciona nas duas instituições, foi detectada a existência de células-tronco na polpa dos 20 dentes de leite que cada ser humano tem. Essas células poderiam ser usadas para desenvolvimento de novos dentes e até de outros tecidos, como ossos, músculos e nervos. O processo ainda permite a obtenção de células-tronco a um custo menor e sem a necessidade de cirurgia nos doadores.

A professora Maria Rita Passos-Bueno, que coordena outro projeto de pesquisas sobre células-tronco na própria USP, acha importante essa integração, mas ressalta, porém, que a medida ainda precisa ser planejada. “Temos que ver como será esta integração”, disse, lembrando que pesquisas sobre células-tronco obtidas em dentes são realizadas na USP pelo menos desde 2005.

Para Stevens Rehen, coordenador do Laboratório Nacional de Células-Tronco Embrionárias da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a criação do laboratório deve colaborar para a obtenção de resultados mais significativos na área. Ele afirmou que o Brasil tem muito a progredir, mesmo com várias pesquisas publicadas, até nivelar-se com Países mais desenvolvidos. O novo laboratório pode ajudar a reduzir essa diferença, acredita.

ÉTICA

“A principal vantagem de se trabalhar com células-tronco de dentes é o acesso fácil aos tecidos”, disse Mantesso, em entrevista à Agência Brasil. “No caso dos dentes de leite, pelo fato de eles caírem por si só, temos 20 oportunidades de coleta de material.”

Já é de nosso conhecimento que, os debates éticos giram mais em torno das polêmicas células-tronco embrionárias."Além disso, as células dos dentes de leite parecem crescer mais rápido que as de dentes permanentes e podem se diferenciarem [se especializar] em células formadoras de dentes, neurônios, de gordura e até de outros tecidos do corpo", conta Andrea Mantesso.
Para a especialista, ainda é cedo para se falar em prazo, mas há quem acredite que em 15 anos a técnica já estará disponível. "A pesquisa nessa área está se disseminando, e um maior número de pesquisadores envolvidos pode trazer respostas mais rápidas", conclui.
FONTE:Agência Brasil;UOL notícias, INFO Abril, USP